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Transição para El Niño: O que esperar nos próximos meses?

23 de fevereiro de 2026 Agronegócio

Próximos meses serão decisivos

A transição para o El Niño pode ter começado, segundo informações do Meteored com base em dados da NOAA. De acordo com a análise, o Oceano Pacífico equatorial apresenta sinais de aquecimento, enquanto o novo índice RONI, implementado no início de fevereiro para monitorar as fases do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENSO), ainda indica resfriamento prolongado.

Conforme antecipado pela Meteored, a tendência da temperatura da superfície do mar (TSM) nos últimos 30 dias mostra aquecimento acelerado das águas do Pacífico central. Apesar disso, o boletim mais recente da NOAA mantém a indicação de condições de La Niña, com anomalia de -0,7ºC na região Niño 3.4 na última semana. As regiões Niño 4 e Niño 3 registraram -0,1ºC e -0,4ºC, respectivamente, enquanto a área Niño 1+2 atingiu +0,5ºC, sinalizando a presença de um El Niño costeiro.

O relatório também aponta a intensificação de uma bolha de água quente em subsuperfície, a cerca de 300 metros de profundidade, que avança em direção à superfície. Mesmo com os sinais de aquecimento, a NOAA estima cerca de 60% de probabilidade de neutralidade entre fevereiro e agosto. Segundo a agência, a chance de o El Niño superar a neutralidade aumentaria apenas a partir do trimestre julho-agosto-setembro.

A análise de modelos climáticos, no entanto, indica cenário de aquecimento mais rápido. A pluma de previsão do ENSO do International Research Institute for Climate and Society mostra que modelos estatísticos projetam anomalias superiores a +0,5°C entre junho-julho-agosto, em linha com a avaliação da NOAA. Já os modelos dinâmicos, baseados em equações físicas da atmosfera, sugerem que o fenômeno pode se configurar antes, entre abril-maio-junho.

Modelos individuais reforçam essa possibilidade. Projeções do NASA GMAO e do NCEP indicam aquecimento rápido, com limiar de fase quente do ENSO já no trimestre março-abril-maio. O modelo ECMWF, citado como referência pela Meteored, também aponta aquecimento intensificado a partir de abril, embora tenha sido retirado do conjunto de modelos do IRI no ano passado.

Segundo o ECMWF, há previsão de condições de El Niño já no trimestre março-abril-maio, com anomalias entre 0,5°C e 2°C nas regiões Niño 3.4 e Niño 1+2. A evolução mensal indica intensificação entre maio e junho, sugerindo transição no início do outono austral. Tendência semelhante aparece no “multi model ensemble” do Copernicus Climate Change Service, que reúne a média de oito modelos globais.

Caso o aquecimento se confirme até o outono, a atmosfera pode responder às novas condições já no inverno de 2026. A projeção indica temperaturas acima da média, redução de episódios de frio mais intensos e maior frequência de frentes frias no Sul do Brasil, favorecendo períodos chuvosos persistentes. Em contrapartida, a Amazônia e parte do Nordeste tendem a registrar menos chuvas e prolongamento da estação seca.

Como o aquecimento já é significativo na região Niño 1+2, o fenômeno pode inicialmente apresentar características de El Niño costeiro antes de se consolidar no Pacífico central. Nesse cenário, os efeitos no centro-sul do país podem ser irregulares no início do outono, tornando-se mais típicos de El Niño caso o aquecimento avance para a região Niño 3.4 nos meses seguintes. Segundo a análise, os próximos dois a três meses serão decisivos para confirmar se o país enfrentará um evento costeiro de curta duração ou um El Niño plenamente desenvolvido com impactos no inverno de 2026.

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