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Prognóstico Agroclimatológico Abril, Maio e Junho de 2026: o que esperar para as lavouras no Brasil
13 de abril de 2026 Agronegócio
O cenário climático para o trimestre de abril a junho de 2026 exige atenção estratégica do produtor rural. De acordo com os dados do boletim agroclimatológico, o período será marcado por irregularidade na distribuição das chuvas, temperaturas acima da média e mudanças importantes no balanço hídrico do solo em diferentes regiões do país.
Esse contexto reforça a importância do planejamento e do manejo eficiente, especialmente em culturas de segunda safra, pastagens e áreas de sequeiro.
Região Norte: excesso de umidade no início e transição para déficit
Na Região Norte, o trimestre começa com chuvas acima ou próximas da média, com volumes que podem ultrapassar em até 100 mm os padrões históricos em áreas como Amazonas, Pará e Roraima. Esse cenário favorece o desenvolvimento das lavouras e a manutenção das atividades agropecuárias, principalmente em abril e maio.
Por outro lado, a elevada frequência de chuvas pode dificultar operações como a colheita, além de aumentar o risco de perdas na qualidade dos grãos. A partir de maio, há uma tendência de redução gradual das precipitações, que se intensifica em junho.
As temperaturas devem permanecer levemente acima da média, contribuindo para o aumento da evapotranspiração. Com isso, o balanço hídrico, que inicialmente apresenta níveis elevados de umidade no solo, tende a diminuir ao longo do trimestre, exigindo atenção especial ao manejo hídrico, principalmente em solos com menor capacidade de retenção.
Região Nordeste: irregularidade nas chuvas e avanço do déficit hídrico
No Nordeste, o cenário climático é mais desafiador. A previsão indica chuvas abaixo da média em grande parte da região, especialmente na Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Em contrapartida, áreas do Maranhão e do norte do Piauí podem registrar volumes acima da média, gerando uma distribuição bastante irregular das precipitações.
As temperaturas devem se manter acima da média em toda a região, o que contribui para o aumento da evapotranspiração e intensifica a perda de água no solo.
Como consequência, o balanço hídrico tende a apresentar déficit crescente ao longo do trimestre, com intensificação nos meses de maio e junho. Esse cenário pode impactar diretamente as lavouras de sequeiro, comprometendo o desenvolvimento das culturas, o pegamento de vagens e o potencial produtivo, além de afetar a recuperação de pastagens.
Região Centro-Oeste: redução gradual das chuvas e impacto na segunda safra
Na Região Centro-Oeste, os volumes de chuva devem se manter próximos da média no início do período, com tendência de redução ao longo dos meses. Algumas áreas do Mato Grosso do Sul e sul de Goiás já apresentam previsão de chuvas abaixo do normal.
As temperaturas seguem acima da média em toda a região, aumentando a demanda hídrica das plantas e acelerando processos fisiológicos.
O balanço hídrico começa favorável em abril, com boa disponibilidade de água no solo, mas apresenta queda progressiva a partir de maio, culminando em condições de déficit hídrico mais intenso em junho. Esse cenário é especialmente preocupante para o milho segunda safra, que pode sofrer perdas de produtividade em fases críticas como florescimento e enchimento de grãos.
Além disso, a redução da umidade também pode comprometer o desenvolvimento de culturas em fase vegetativa e impactar negativamente as pastagens.
Região Sudeste: início favorável, mas com tendência de estresse hídrico
O Sudeste inicia o trimestre com condições relativamente favoráveis, porém a previsão indica chuvas abaixo da média em São Paulo e no centro de Minas Gerais, o que pode afetar a reposição de água no solo.
As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a região, intensificando a evapotranspiração e acelerando a perda de umidade.
Com isso, o balanço hídrico apresenta uma tendência de redução ao longo do trimestre, com maior risco de déficit hídrico a partir de maio e intensificação em junho. Esse cenário pode provocar estresse nas lavouras, especialmente em áreas com solos mais arenosos ou com menor capacidade de retenção de água.
Na pecuária, a diminuição da umidade do solo pode comprometer o vigor das pastagens, reduzindo a taxa de crescimento das forrageiras.
Região Sul: contraste entre início seco e excesso de chuvas no final do período
Na Região Sul, o trimestre apresenta um comportamento climático contrastante. Inicialmente, a previsão indica chuvas abaixo da média, com reduções de até 100 mm em áreas do Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul.
Entretanto, a partir de maio, há uma mudança significativa no padrão, com predomínio de chuvas acima da média e ocorrência de excedentes hídricos, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a região, com desvios que podem chegar a 2°C em algumas áreas.
O balanço hídrico, que já começa com bons níveis de umidade no solo, tende a evoluir para condições de excesso hídrico no decorrer do trimestre. Esse cenário favorece o desenvolvimento das culturas de inverno e a recuperação das pastagens, mas também pode dificultar operações de campo, como a colheita da soja e do arroz, além de aumentar os desafios no estabelecimento das lavouras devido ao excesso de umidade.
Conclusão: planejamento e manejo serão decisivos
O trimestre de abril a junho de 2026 será marcado por grande variabilidade climática entre as regiões brasileiras, com destaque para a redução gradual das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, déficit hídrico no Nordeste e excesso de umidade no Sul.
Diante desse cenário, o produtor deve intensificar o monitoramento das condições climáticas e adotar estratégias de manejo que garantam maior eficiência no uso da água, proteção das lavouras e manutenção do potencial produtivo.
A tomada de decisão baseada em informação será o principal diferencial para atravessar o período com mais segurança e produtividade.
Acesse o prognóstico completo abaixo:
Fonte: Inmet






